SURDO BILÍNGUE: PARA ALÉM DE UM SUJEITO USUÁRIO DE DUAS LÍNGUAS

  • Raissa Siqueira Tostes UFSCar - São Carlos
  • Cristina Broglia Feitosa de Lacerda UFSCar - São Carlos

Resumo

Este artigo almeja uma reflexão a respeito do surdo bilíngue que experiencia e convive com duas línguas distintas, quais sejam, a língua de sinais e a língua majoritária do grupo social no qual está inserido. Assume-se que o bilinguismo do surdo não quer dizer apenas que ele exerça duas línguas, isto é, a língua de sinais como primeira língua (L1) e o português como segunda língua (L2). Neste sentido, são apresentados alguns conceitos de bilinguismo presentes na literatura, desde a perspectiva monoglóssica até a perspectiva intercultural, além de um breve histórico do bilinguismo da pessoa surda no Brasil. Em seguida discutimos com dois autores, Bakhtin e Vygotsky, ponderando que considerar o surdo em seu cotidiano bilíngue significa conhecê-lo nas condições sociais em que vive e, principalmente, compreender como se dá sua produção de sentidos nos diversos espaços sociais, linguísticos, culturais e emocionais que o permeiam.

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Biografia do Autor

Raissa Siqueira Tostes, UFSCar - São Carlos
Psicóloga surda; Mestra (2018) em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar; Graduada (2015) em Psicologia pela Universidade de Ribeirão Preto - UNAERP.
Cristina Broglia Feitosa de Lacerda, UFSCar - São Carlos
Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação Especial e do Curso de Licenciatura em Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar; Doutora (1996) e mestra (1992) em Educação pela Universidade Estadual de Campinas, graduada em Fonoaudiologia pela Universidade de São Paulo (1984).

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Publicado
2020-11-25
Como Citar
Tostes, R. S., & de Lacerda, C. B. F. (2020). SURDO BILÍNGUE: PARA ALÉM DE UM SUJEITO USUÁRIO DE DUAS LÍNGUAS. Interfaces Científicas - Educação, 8(3), 541-553. https://doi.org/10.17564/2316-3828.2020v8n3p541-553
Seção
Artigos