ESCOLA DE TEMPO INTEGRAL: UMA EXPERIÊNCIA DE PROTAGONISMO JUVENIL

Alexandro Lima Viana, Tânia Gorayeb Sucupira, José Gerardo Vasconcelos, Antônio Roberto Xavier

Resumo


Um dos desafios para a educação institucional na atualidade diz respeito a acrescentar à dimensão cognitiva a formação crítica e ética. O objetivo deste artigo é descrever detalhes do protagonismo de jovens estudantes na cultura de escola de tempo integral e compreender os fenômenos sociológicos imbricados no processo: empatia, solidariedade e mobilização de toda comunidade escolar para ajudar uma colega da turma a superar problemas de família. Pesquisas de Goleman e Senge (2015) em inteligência emocional apontam que a aprendizagem social e emocional complementa a vida acadêmica, bem como pressupostos teóricos de Libâneo, Oliveira e Toschi (2003) fundamentam a autossocioconstrução do conhecimento a partir do desenvolvimento do pensamento autônomo e atitude criativa. O uso metodológico da História Oral e a narrativa das protagonistas servem ao propósito de reconstituir os detalhes, proporcionando às entrevistadas a ressignificação de sentidos ao vivido e novos aprendizados para a vida, em acordo com pesquisas de Delory-Momberger (2008). A vivência desenvolveu no grupo o senso de maturidade e inteligência emocional, além da capacidade para pensar reflexivamente, de modo a assumir desafios, planejar ações e mobilizar toda uma comunidade escolar para alcançar seus propósitos.

Palavras-chave


Educação. Protagonismo juvenil. Cultura escolar. Neurociência. Inteligência emocional.

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DOI: https://doi.org/10.17564/2316-3828.2020v8n3p291-303


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