Entre milhos e palmatórias Memórias escolares sobre uma infância castigada: Vivências e ressignificações.

  • Milena Cristina Aragão Universidade Federal de Sergipe
Palavras-chave: Castigos Escolares., Habitus., Memórias.

Resumo

O presente artigo relata e problematiza memórias e sentimentos de três professoras residentes em Aracaju/SE sobre os castigos vivenciados em sua trajetória escolar, sendo cada uma em um período histórico diferente: décadas de 1950, 1970 e 1990. Como resultado, observou-se semelhanças entre as práticas experimentadas pelas três docentes, com ênfase no uso da palmatória, ajoelhamento no milho e ficar de pé na frente da sala. Foi abordada também a participação das famílias nesse processo, bem como as ressignificações das entrevistadas em seus modos de pensar e agir, discutindo, para tanto, o conceito de habitus em Pierre Bourdieu. Por meio das recordações docentes, foi possível não só investigar similaridades e diferenças nas práticas de castigos aplicadas no universo escolar ao longo do tempo, mas também compreender de que forma elas se apropriaram de tais vivências para compor suas práticas pedagógicas.

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Biografia do Autor

Milena Cristina Aragão, Universidade Federal de Sergipe
Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina, Mestrado em Educação pela Universidade de Caxias do Sul/RS e cursa o Doutorado em Educação na Universidade Federal de Sergipe, sendo bolsista FAPITEC/SE. É integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas em História da Educação: Intelectuais da Educação, Instituições Educacionais e Práticas Escolares, coordenado pelo Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento e pela Profª. Dra. Anamaria Gonçalves Bueno de Freitas. Membro da Sociedade Brasileira de História da Educação.

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Publicado
2016-06-05
Como Citar
Aragão, M. C. (2016). Entre milhos e palmatórias Memórias escolares sobre uma infância castigada: Vivências e ressignificações. Interfaces Científicas - Educação, 4(3), 19-30. https://doi.org/10.17564/2316-3828.2016v4n3p19-30
Seção
Artigos