Da narrativa da aventura à aventura da narrativa – etnograficidade: algumas vicissitudes

Jesana Batista Pereira

Resumo


O presente artigo é uma revisão bibliográfica que tem como foco evidenciar algumas discussões sobre a mudança do método na etnografia. Se o típico método de representação do social era a constante contrastiva participar versus observar, há uma mudança do eixo da descrição para o da narração. O ponto de vista que me interessa aqui é mostrar a importância da ênfase na narração para o entendimento da nova relação que se estabelece entre ficção e realidade. Relação esta que é preconizada pelo movimento Impressionista, o qual marca justamente a mudança de ênfase da descrição externa de um objeto imobilizado para o recurso da narração com a participação interpretativa e viva do real pelo autor. O que se coloca em dúvida é o pressuposto básico da arte mimética.  As novas discussões teóricas se definem no contexto intelectual das culturas de que fazem parte os antropólogos e se expressam nos debates sobre modernidade e pós-modernidade. As dúvidas são postas sobre a representação em si e não apenas sobre como representar ex-povos coloniais. A pós-modernidade da antropologia está comprometida com esta crítica que, ao tomar consciência dos recursos lingüísticos usados para a construção etnográfica assinala para o caráter textual da imagem do outro. Reinstalando sua ação em um espaço multidisciplinar, a antropologia se abre aos conceitos e instrumentos da lingüística, a análise do discurso, a história e as contribuições de filósofos e epistemólogos.


Palavras-chave


Etnografia; Discurso; Narrativa; Outro

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DOI: http://dx.doi.org/10.17564/2316-3801.2014v2n2p55-69