DOS LAÇOS DE SANGUE AOS LAÇOS AFETIVOS: REFLEXÕES SOBRE O ESTIGMA NO PROCESSO DE INSTITUCIONALIZAÇÃO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE EM ABRIGO DE ADOÇÃO

Kenedy Ânderson da Silva Ânderson Silva

Resumo


Este artigo discute o processo de institucionalização da criança e do adolescente em abrigo de adoção e os estigmas em voga. Para tratar da complexidade desse quadro, pauta-se o acolhimento institucional à medida que constitui uma situação na qual cingem-se fatores sociais, psicológicos e jurídicos. De acordo com registros oficiais, é assegurado a toda criança ou adolescente o direito de ser criado e educado em uma família, seja ela biológica ou substituta. O presente estudo consiste em uma pesquisa de revisão sistemática. A busca dos dados foi realizada entre julho e setembro de 2018, nas bases de dados da Scientific Eletronic Library Online – SciELO e da Literatura Latino Americano e do Caribe em Ciências da Saúde – LILACS. Utilizaram-se também dois livros, que discutiam o estigma e a institucionalização. O argumento central deste trabalho mostra que o abrigo pode ser entendido como o lugar da não-infância, quando a sistemática aplicada pelo programa de abrigamento nem sempre atende de forma personalizada as demandas expressas pela criança ou adolescente, e devido ao fato de que não é um espaço de vivência familiar.

Palavras-chave


Estigma; adoção; abrigamento

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