LER É UM ATO POLÍTICO: MULTILETRAMENTOS EM CONTEXTO DE CENSURA LITERÁRIA

Luciana Velloso

Resumo


Resumo:
O presente texto analisa o papel dos memes enquanto potência crítica de oposição às ações do atual Prefeito da cidade do Rio de Janeiro durante a Bienal do Livro de 2019 e aos defensores de movimentos conservadores em relação à leitura e ao contexto social mais amplo. Foram movimentos de censura a livros considerados inapropriados para público infanto-juvenil, por trazerem consigo questões que pudesse estar vinculadas a debates sobre gênero e sexualidade. No que tange aos movimentos que considero conservadores e retrógrados em termos de conquistas no campo social e educacional, tomo o exemplo do Projeto Escola sem Partido (EsP) como uma destas ações que recebem apoio de diversos setores sociais e, dentre outras pautas, já trazem consigo a interdição de tais discussões nos espaços educacionais. A partir das discussões, entendo que o movimento #CrivellaCorreAqui e toda a produção imagética que o envolveu é emblemático quando se pensa as reações dos internautas e como as redes digitais e a possibilidade dos multiletramentos possibilitam criações das mais diversas em contraponto a ações reacionárias, comprovando que por mais censurados que sejam os temas, se não puderem entrar nas escolas para serem discutidos, eles entram pela janela ou pelas telas de nossos celulares.

Palavras-chave


Multiletramentos; Censura Literária; Escola sem Partido; Gênero e Sexualidade; Memes e educação.

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DOI: http://dx.doi.org/10.17564/2316-3828.2020v8n2p271-284


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