DO DEJETO AO DESEJO: ARQUITETURA DE BANHEIROS COMO DISPOSITIVO DE CONTROLE DA SEXUALIDADE

Gleiton Matheus Bonfante, Filipe Ungaro Marino

Resumo


A ressignificação de espaços de acordo com novos usos e práticas sociais é não apenas natural, mas pode ser geradora de ansiedades coletivas e iniciativas de controle quando novas práticas são entendidas como subversivas. Esse artigo se interessa em entender como a arquitetura é empregada como um dispositivo de controle da sexualidade nos banheiros de uso coletivo. Busca entender também como a arquitetura e sua semiose co-criam dispositivos de controle da sexualidade.
A partir desses objetivos, é proposto aqui uma breve genealogia do banheiro, a fim de entender sua transformação ao longo do tempo e sua ressignificação nos dias de hoje, através de práticas homoeróticas, buscando entender na divisão por gêneros e nas características próprias desse ambiente qualificações ímpares para determinada prática sexual entre homens.
Logo, investiga-se o que chamamos de arquitetura do desejo, ou seja, a reatualização do banheiro coletivo como um espaço do tesão e dos encontros sexuais. Neste capítulo as ideias projetuais que buscam coibir a pegação são descritas e examinadas à luz das práticas vigentes, com a breve análise de casos concretos ocorridos na cidade do Rio de Janeiro. Mais adiante, faz-se uma análise mais completa dos dados gerados sobre pegações em banheiros coletivos: textos online, entrevista semi-estruturada, vivência etnográfica em banheiros e descrição de reformas. Finalmente, apresentamos algumas conclusões a respeito da análise da semiótica do banheirão.

Palavras-chave


Genealogia do banheiro; práticas homoeróticas, semiótica

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http://diariodebanheirao.blogspot.com.br/2011/06/sao-paulo.html Acessado em 12/10/2016




DOI: http://dx.doi.org/10.17564/2316-3828.2020v8n2p117-131


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