O DIÁLOGO E A ARTE DO DEBATE

Ronaldo Nunes Linhares

Resumo


O diálogo, como a arte do debate, da persuasão e do raciocínio traduz as ações da Educadora Ada Augusta Celestino Bezerra. Como ela costumava dizer a dialética é a opção metodológica para explicar a realidade e apresentar alternativas para sua transformação. Desde a Antiguidade, a Dialética foi definida por Platão como o movimento do espirito, que aproxima as ideias individuais das universais. Como a base da maiêutica socrática, se propõe que, só parindo ideias podemos adentrar um novo conhecimento. No pensamento Aristotélico e, podemos dizer que também no Kantiano esse é um processo racional que definia uma lógica de aparências. A perspectiva existencial de Hegel coloca a dialética como uma filosofia, um movimento de ideias que sai de si própria (tese) e encontra outras ideias (antítese) e depois regressa com sua identidade renovada, tornando-se mais concreta. Esse exercício, fundamentou o pensamento de Marx e Engels ao definirem a Dialética como uma teoria do conhecimento onde pensamento e realidade estão juntos no exercício de compreensão e transformação dos movimentos históricos, que se constituem a partir das condições materiais da vida. Essa última concepção foi a base das reflexões e ações dessa Educadora e pesquisadora potente e sempre inovadora.
A defesa por um método que, logico em sua formação, abre a única possibilidade para transformar essa sociedade complexa acompanha e orienta suas ações dentro e fora da academia. Pedagoga de formação defendeu ideias e constituiu ações voltadas pela melhoria da educação pública e mesmo na educação privada encabeçou projetos e ações que aperfeiçoaram a formação docente e ampliaram as possibilidades formativas de muitos professores das classes trabalhadoras como o PROFOPE. Criticou a produção acadêmica em massa, reduzida a proletarização dos intelectuais e resistiu até as últimas consequências por uma posição mais qualitativa e humanista.
Esta educadora que via em todas as ações a contradição entre princípios teóricos ou fenômenos empíricos, entendia o ser humano como sujeito de sua transformação e a educação como espaço dialético onde essa transformação seria possível, fortalecendo o papel do educador. E assim, preparado para enfrentar as transformações do capitalismo tecnológico global e globalizante numa sociedade onde informação e conhecimento são moedas de troca, Ada Augusta conseguia usar os fundamentos de uma teoria para dialogar, debater e persuadir. Com respeito ao oponente como um igual, findo o debate, cumprimentava os “queridos” e levava na bolsa o resultado das ideais debatidas, que com certeza transformaria em ações e projetos competentemente executados. Com uma elegância que lhe era peculiar avançava trabalhando sempre e cumprindo seu papel de orientar gerações sobre a seriedade da docência e da pesquisa sobre a realidade como forma de sua transformação.
Nosso carinho e respeito a Educadora, Gestora e Pesquisadora Ada Augusta Celestino Bezerra, que, para além da vida material, deixou marcas para uma vida eterna. Quem sabe para ela podemos dizer que além da família, a educação era o seu amor maior e, assim,“Eu possa lhe dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama/ Mas, que seja infinito enquanto dure.” (Vinicius de Morais, 1946).

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DOI: http://dx.doi.org/10.17564/2316-3828.2018v6n3p9


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