Historiografia didática e ensino de história: nação e identidade nas narrativas sobre a história do Brasil (1843-1861)

Maria Aparecida de Leopoldino Tursi Tole

Resumo


O principal objetivo deste escrito é refletir sobre as relações que historicamente vieram sendo tecidas entre História e ensino na perspectiva relacional de dois campos de conhecimentos: a Educação e a História, a fim de compreender melhor a novidade das questões que habitam em nosso presente quando se trata de pensar os aspectos pedagógicos dessa disciplina escolar no cenário da educação escolar brasileira contemporaneamente. O leitor encontrará nas reflexões aqui desenvolvidas a problematização da trajetória assumida pela história como disciplina escolar no caminho de sua afirmação como saber socialmente necessário no decorrer do século XIX. A escolha metodológica desse caminho se justifica por entender que, como parte dos interesses pedagógicos, é necessário, na discussão sobre História e ensino de História, pensar o ensino tradicional por meio de pelo menos dois aspectos que são centrais nessa questão: a tradição historiográfica (entendida como escrita da história) e sua relação com a historiografia didática (a escrita da história escolar) que inaugura um método específico de ensinar o passado no decorrer do século XIX, mais especificamente por intermédio de duas obras historiográficas de referência do período – Como se deve escrever a história do Brasil, de Martius (1843) – e Lições de História do Brasil, de Joaquim Manoel de Macedo (1861).

Palavras-chave


historiografia didática; ensino de História; identidade; nação

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.17564/2316-3828.2014v2n3p243-256


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