EXPLORAÇÃO, DESIGUALDADE E JUSTIÇA: SENTIDOS PRODUZIDOS POR ADOLESCENTES RURAIS DIANTE DO FILME PROPRIEDADE
DOI:
https://doi.org/10.17564/2316-3801.2026v13n1p38-52Resumo
Este estudo buscou analisar os sentidos produzidos por adolescentes rurais acerca do trabalho a partir da mediação estética. Foi realizada uma pesquisa-ação com três adolescentes de uma escola rural no Distrito Federal. A metodologia incluiu entrevistas semiestruturadas e a realização de um cineclube. Neste artigo, a análise foca nas discussões de um grupo focal após a exibição do filme "Propriedade" (2023). Os dados foram analisados focando nos fragmentos discursivos para compreender a produção de sentidos em processo. O filme catalisou debates sobre exploração laboral análoga à escravidão, desigualdade e justiça. Os adolescentes demonstraram capacidade de pensamento conceitual, ponderando dilemas éticos complexos, como a legitimidade da violência como resposta à opressão. Suas falas revelaram uma articulação entre suas próprias vivências de trabalho informal e a narrativa fílmica. A discussão evidenciou como a arte pode mediar a reflexão sobre as condições objetivas de exploração (como a mais-valia) e os modos como elas constituem subjetividade e a percepção da realidade. Considera-se que a mediação estética foi eficaz para promover reflexões críticas entre os jovens, conectando suas vivências singulares a questões sociais amplas. A pesquisa reafirma a relevância da Teoria Histórico-Cultural para compreender o desenvolvimento na adolescência e destaca o potencial da arte como ferramenta de formação da consciência crítica. Aponta-se a necessidade de políticas públicas para o campo e de integrar a arte ao currículo escolar como meio de transformação social.







