LIBRAS E EDUCAÇÃO DE SURDOS: DISPUTAS E RELAÇÕES DE PODER NO MERCADO LINGUÍSTICO
DOI:
https://doi.org/10.17564/2316-3801.2025v12n3p22-36Resumo
Abordamos as contradições do mercado linguístico no qual está situada a Língua Brasileira de Sinais (Libras), reconhecida como a língua da comunidade surda brasileira, a partir da teoria de Pierre Bourdieu, enfocando as noções de campo, capitais e habitus. A Libras é uma língua viso-gestual e a recente inclusão da Educação Bilíngue, poderia, em tese, contribuir com o processo de construção linguística e identitária das pessoas surdas no país. Apesar dos avanços legislativos, na prática há a exclusão de alunos surdos no ensino regular, tratados pedagogicamente a partir de planejamentos viáveis apenas para os alunos ouvintes. A situação corrobora para o aumento do estigma social, pautado na visão clínico-terapêutica que entende a surdez como deficiência e não como diferença. Articulamos bibliografias voltadas para a educação de surdos sob o ponto de vista cultural à sociologia de Bourdieu para compreender as tensões e relações de poder nas políticas que excluem as minorias linguísticas. Os resultados indicam que a exclusão, o analfabetismo e abandono escolar são fruto de ideologias inscritas no ideário social que desrespeita as legislações e não implica instituições, docentes e poder público na responsabilidade social de inclusão da pessoa surda.